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Edgard Leuenroth
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E-album
Edgard Leuenroth (1881 - 1968)
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“Toda a imprensa o considera um sonhador,
um utopista, desses que põem toda a sua alma na propaganda das idéias
que um dia irão dominar o mundo inteiro.” ( O Estado de São
Paulo, 9 de
-
janeiro de 1918)
Nascido em 1881, na cidade de Mogi-Mirim,
Edgard Frederico Leuenroth era filho de Waldemar
Eugenio Leuenroth1 e de Amélia
de Oliveira Brito Leuenroth2. Quando
contava com cinco anos de idade mudou-se para São Paulo, em companhia
da mãe, à época viúva, e dos irmãos.
Aos 10 anos de idade, Edgard Leuenroth abandonou os estudos
e empregou-se como “menino de escritório
para limpeza e recados”. Posteriormente, foi trabalhar como caixeiro
em uma loja de fazenda. Seu primeiro emprego como tipógrafo foi
nas Oficinas da Companhia Industrial, onde
aprendeu o ofício. No ano de 1897, ingressou nos quadros do jornal
O
Commercio de São Paulo, onde exerceu a função
de tipógrafo por doze anos. Em 1897, ao lado de Cruz, fundou um
jornal crítico e literário, de periodicidade quinzenal, denominado
O
Boi. O título do periódico seria obra ao acaso, vez que
ao comprar a velha tipografia viera junto com os materiais um clichê
com os dizeres O Boi. Este jornal, publicado até 1898, deu origem
à Folha do Braz, em 1899, órgão
defensor dos direitos dos moradores daquele bairro. Colaborou nesta Folha
até 1901 e no O Alfa, de Rio Claro, no ano de 1903.
Interessou-se pelo socialismo pelos idos de
1903 e começou a freqüentar as reuniões do Círculo
Socialista. No ano seguinte o poeta Ricardo Gonçalves atrairia-o
para o movimento anarquista, do qual jamais se afastaria. Percebendo a
importância da conscientização e da associação
de classe, fundou, na condição de operário tipógrafo,
o Centro Typográphico de São Paulo. No ano seguinte, já
em plena militância anarquista, participou da transformação
deste Centro em União dos Trabalhadores Gráficos, posteriormente
Sindicato dos Gráficos, ocasião em que fundou e colaborou
com o jornal O Trabalhador Gráfico.
Transferiu-se para a cidade do Rio de Janeiro
em 1905. Nesta cidade, trabalhou como tipógrafo no jornal Imprensa
e no periódico português Portugal Moderno. Neste mesmo ano,
em São Paulo, colaborou com o jornal libertário A Terra Livre,
ocasião em que conheceu o anarquista português Neno Vasco
(Dr. Gregório Nanzianzeno Queiroz de Vasconcellos), que o ajudou
a melhorar seus conhecimentos de língua portuguesa e a aprofundar
questões sobre o socialismo. No ano de 1906, participou do Primeiro
Congresso Operário Brasileiro, cuja principal reivindicação
era a jornada diária de oito horas de trabalho. Foi ainda redator
do jornal A Lucta Proletária, órgão da Federação
Operária de São Paulo, importante periódico para a
deflagração da greve da Companhia Paulista de Estradas de
Ferro.
No ano de 1908, Edgard Leuenroth fundou e dirigiu
a Folha do Povo. No ano seguinte, assumiu
a direção do jornal liberal e anticlerical A Lanterna, fundado
pelo Dr. Benjamin Motta no ano de 19013.
À frente deste periódico, Leuenroth e outros jornalistas
libertários denunciaram, no ano de 1912, os crimes supostamente
cometidos pelo padre Faustino Consoni – violação sexual,
de uma criança recém chegada ao Orfanato São Cristóvão,
seguido de morte. O caso ficou conhecido como O Caso Idalina4.
Em uma das manifestações populares convocada pelos anarquistas
contra a Igreja Católica, Leuenroth foi preso e logo liberto pelo
escritor e advogado Evaristo de Morais, profissional que sempre se posicionou
ao lado da causa operária. Há registro de que à época
Leuenroth encontrava-se casado e com quatro filhos5.
Ainda neste ano, fundou e dirigiu o jornal
A Guerra Social. No ano de 1913 participou, como representante do jornal
A Lanterna, do Segundo Congresso Operário Brasileiro, realizado
no Rio de Janeiro. Seu irmão, João Leuenroth, então
morador daquela localidade, participou como tesoureiro da Comissão
Executiva da Confederação Operária Brasileira.
No ano de 1915 o periódico A Lanterna
deixa de ser publicado. Leuenroth passou a colaborar ativamente com o jornal
O Combate e no ano seguinte, empregou-se também na redação
do A Capital. Quase dois anos depois, saiu deste jornal e fundou A
Plebe. Neste ínterim, foi redator-secretário da revista
Eclética, em São Paulo.
Pelas colunas do semanário A Plebe podemos
dizer que Leuenroth teve participação efetiva na Greve
Geral de 1917. Foi nesse ano que os movimentos grevistas operários
paulistanos chegaram a seu clímax. Sucederam-se greves parciais
por aumento de salários, com comícios e piquetes. Em 9 de
julho, numa carga de cavalaria contra os operários, é morto
pela polícia o jovem anarquista José Martinez. No dia seguinte,
às sete horas da manhã, verdadeira multidão acompanhou
o enterro, do Brás até o cemitério do Araçá,
passando pelo centro da cidade. Os tecelões do Cotonifício
Crespi, na Mooca, dão início ao surto grevista, que iria
se alastrar por outras fábricas e outros bairros. No dia 12, há
mais de 70 mil trabalhadores em greve. Ocorrem saques a armazéns.
Bondes e outros veículos são incendiados. Dirige a luta o
Comitê de Defesa Proletária, a cuja frente está Edgard
Leuenroth6. Considerado mentor “psico-intelectual”
do movimento grevista, foi novamente preso. Seu processo foi diversas vezes
adiado e isso arrancou ardorosos protestos da imprensa anarquista, que
denunciava os atrasos e a má vontade do governo com o caso Leuenroth.
Leuenroth ainda encontrava-se na prisão,
no início de 1918, quando seus amigos cogitaram lançar sua
candidatura para deputado. Da cadeia pública de São Paulo
escreveu um artigo agradecendo a deferência, e mesmo considerando
a candidatura como protesto, não poderia aceitá-la, pois
permaneceria fiel a seus ideais anarquistas e não compactuaria com
o Estado nem para fazer protesto. Ainda neste ano, Leuenroth, liberto,
participou do I Congresso Brasileiro de Jornalistas no Rio de Janeiro.
Após a Revolução ocorrida
na Rússia em 1917, os socialistas e anarquistas brasileiros foram
tomados de intenso entusiasmo. Havia uma certa expectativa que outras revoluções
sociais ocorressem em diversos países, inclusive no Brasil. Objetivando
preparar esta revolução, foi fundado, em 9 de março
de 1919, no Rio de Janeiro, o Partido Comunista do Rio de Janeiro (libertário),
que agregava anarquistas, socialistas e todos aqueles que aceitassem o
comunismo social. Este partido foi o responsável pela organização
do comício monstro no 1º de maio, daquele ano.
Em São Paulo, o Partido Comunista do
Rio de Janeiro fez-se presente nas comemorações do Dia do
Trabalho, representado por Manuel Campos, delegado do Partido Comunista
do Brasil. Discursaram ainda Florentino Carvalho, Antonio Candeias Duarte
(Hélio Negro) e Edgard Leuenroth. Neste mesmo mês Edgard Leuenroth
e Hélio Negro redigiram às pressas um pequeno livreto O Que
é Maximismo ou Bolchevismo: programa comunista.
Em 16 de junho foi criado o Partido Comunista
de São Paulo, numa reunião na sede de A Internacional. Foi
convocada então a Primeira Conferência Comunista do Brasil,
que realizou-se no Rio de Janeiro, de 21 a 23 de junho de 1919, inicialmente
no Centro Cosmopolita, posteriormente, em Niterói, já que
a polícia impediu a realização do evento naquele local.
Na conferência foram distribuídos o programa, organizado por
José Oiticica e o livreto de Leuenroth e Hélio Negro. O núcleo
paulista do Partido Comunista ficaria encarregado de elaborar o programa
do partido. Houve algumas sessões noticiadas por A Plebe e em agosto
saiu neste mesmo jornal a publicação do projeto de programa
do núcleo de São Paulo. O jornal oficial do partido seria
fundado pouco depois, o Spartacus, contando com a participação
de Edgard Leuenroth, José Oiticica, Octávio Brandão
e Astrojildo Pereira7.
Nos anos de 1917 a 1920, o movimento operário
anarquista encontrava-se em pleno auge. Leuenroth, um de seus principais
líderes, participava ativamente escrevendo artigos de apoio aos
movimentos grevistas, fazendo discursos inflamados e, muitas vezes, liderando
protestos. O movimento grevista que estourou em 1919 e teve o seu desfecho
no ano seguinte foi desdobramento do que ficara mal resolvido em 1917.
Data também de 1919 o empastelamento do A Plebe pelos alunos da
Faculdade de Direito de São Paulo. Insatisfeitos com os artigos
publicados por este jornal criticando suas posturas ao substituírem
os motorneiros e cobradores de bondes que estavam em greve, partiram para
a destruição, não só da gráfica do jornal,
bem como da redação, localizada em outro ponto da cidade,
diante da omissão da polícia que foi ao local no momento
da ação e nada fez para impedir a depredação.
Em 23 de abril de 1920 teve início o
Terceiro
Congresso Operário Brasileiro, que contou com a ativa participação
de Leuenroth. Neste Congresso foi votado apenas moção pela
criação da Internacional Comunista Soviética, e não
adesão dos operários brasileiros à este órgão.
Nomeou-se ainda uma Comissão Executiva do Terceiro Congresso (CETC),
com mandato até o próximo Congresso Operário Brasileiro,
que realizar-se-ia em 1921, para coordenar as atividades de execução
das resoluções tomadas. O Rio de Janeiro tornou sede do Secretariado-Geral,
e Edgard Leuenroth, seu secretário. Em novembro de 1920, Leuenroth
solicitou afastamento de suas funções para tratamento de
saúde. Enquanto era obrigado a ausentar-se de São Paulo para
um repouso médico em Teresópolis, estado do Rio de Janeiro,
aproveitara a ocasião para colaborar com o jornal A Voz do Povo.
Antes de regressar de Teresópolis, Edgard
Leuenroth passou por Juiz de Fora, Minas Gerais, onde realizou palestra
na Federação Operária Mineira. De volta à São
Paulo, associou-se à Cooperativa Gráfica fundada por João
da Costa Pimenta, que, sem se abater com a dissolução da
Voz do Povo (em fins de 1920), havia iniciado a publicação
de outro periódico anarquista: A Vanguarda. Nesta ocasião,
a imprensa libertária encontrava-se em franco declínio e
boa parte dos jornais lutavam com grandes dificuldades para sobreviver.
Com o surgimento do periódico A Vanguarda, A Plebe viu-se prejudicada
em suas vendagens. Cinco meses depois, viu-se obrigada a reduzir sua periodicidade.
Seguiram-se três meses de silêncio8.
Em julho de 1921, A Vanguarda noticiou uma
série de reuniões dos “Amigos” de A Plebe que objetivavam
ressuscitar este conhecido periódico anarquista. O próprio
A Vanguarda, nessa época, estava circulando somente duas vezes por
mês. Em dezembro daquele ano A Plebe voltou a circular.
O fim do ano de 1920 e o início de 1921
são marcados pelos desentendimentos entre anarquistas e bolchevistas
(comunistas), sendo estes últimos em grande parte ex-anarquistas
que aderiram à Revolução Bolchevique ocorrida na Rússia.
Astrojildo Pereira, que despontava como líder dos comunistas, atacou
duramente os libertários via imprensa, discordando de seus princípios.
Não se tratava apenas de uma discussão de diferenças
ideológicas, mas de uma reavaliação de postura e identificação
políticas. Durante o ano de 1921 houve uma trégua entre os
grupos, quebrada no início de 1922 pelo jornal carioca Movimento
Comunista, que se nomeava porta-voz do grupo comunista/bolchevista.
Diante dos debates e das provocações,
os anarquistas se pronunciaram e publicaram no dia 18 de março de
1922, no jornal A Plebe, um Manifesto contendo suas posições
e negando qualquer possibilidade de revisão de seus princípios
e postura política. Nos dias 25, 26 e 27 do corrente, era fundado
no Rio de Janeiro o Partido Comunista, Seção Brasileira da
Internacional Comunista. Neste ano, houve acirramento das discussões
entre os dois grupos, os comunistas almejavam atrair para si o apoio dos
operários, historicamente conquistados pelos anarquistas. Assim,
Leuenroth teve várias vezes sua imagem pessoal atacada na imprensa
comunista por Astrojildo Pereira, ex-anarquista.
No dia 30 de dezembro, em uma festa organizada
com a finalidade de angariar fundos para o jornal A Plebe, Ricardo Cípolla,
jovem discípulo de Leuenroth, foi assassinado por um outro anarquista,
ex-policial, Indalécio Iglésias. A imprensa, contrária
aos anarquistas, aproveitou para fazer estardalhaço contra os representantes
do movimento. Enquanto isso A Plebe lutava para que em suas páginas
as pessoas tivessem todas as informações relativas ao caso.
Em fins de janeiro de 1923 ainda abatido com
os acontecimentos, Leuenroth viu-se atacado por Astrojildo Pereira nas
páginas do A Nação. Aproveitando-se de uma falha ocorrida
em uma informação dada pelo A Plebe, Astrojildo tentou golpear
os anarquistas dentro do próprio movimento operário que ajudaram
a criar. Pessoalmente atingido, Leuenroth afastou-se do movimento e da
direção do jornal, alegando problemas de saúde. No
final deste mesmo ano, retornou à militância e às colunas
dos jornais. Entre 1924 e 1935 foi redator-secretário do Romance
Jornal; no ano de 1935 colaborou com o Ecla, Serviço de Notícias,
e entre 1936 e 1938 foi redator-secretário do periódico paulista
Jornal dos Jornaes, publicações da Eclectica.
Participou do Congresso Mundial de Jornalismo
no ano de 1926, realizado em Washington. Na época, Leuenroth trabalhava
na Eclectica e foi encarregado por essa empresa de organizar uma exposição
retrospectiva da História do Jornalismo no Brasil. Sofreu novas
e amargas críticas do Partido Comunista; acusaram-no de se vender
aos interesses do capitalismo mundial. Leuenroth defendeu-se respondendo
que sua ida aos Estados Unidos fora designação da empresa
que trabalhava e não militância política.
No ano de 1927 o jornal A Nação,
em artigo de Astrojildo Pereira declarou O anarchismo está morto!
Os comunistas começavam a ganhar apoio dos operários, mediante
o enfraquecimento do anarquismo e o sucesso da Revolução
Socialista Russa, que à época, apresentava-se como uma proposta
viável de superação do capitalismo. Por ser um período
pré-revolucionário, os anarquistas continuaram com sua militância
e lutando pelos direitos das classes trabalhadoras. Apesar de todos os
desentendimentos entre anarquistas e socialistas, uniram-se para lutar
contra o surgimento do fascismo.
Estabelecida a Revolução de 1930,
o Estado passou a fazer uma vigilância cerrada sobre todos os movimentos
políticos da sociedade. Logo decretou a ilegalidade do PCB e de
outros grupos que não eram favoráveis ao regime Vargas. No
ano de 1933, Leuenroth participou da criação do Centro de
Cultura Social, vinculado ao movimento anarquista; que pouco tempo depois
teve suas atividades paralisadas9. De 1937
a 1945 os militantes praticamente silenciaram, em parte devido à
política trabalhista de Vargas que aliciava seu poder da própria
classe trabalhadora e em parte devido à perseguição
do novo regime.
Apesar das dificuldades, Leuenroth não
abandonou a luta. Concentrou seus esforços no sindicalismo, onde
atuou desde 1903. Participou ativamente da fundação da Associação
Paulista de Imprensa no ano de 1933, reunindo logo no primeiro ano de fundação
471 sócios. Sempre modesto, relatava a sua participação
na fundação da entidade como um funcionário cedido
pela Eclética para compor os trabalhos iniciais10.
À época, participou do Primeiro Congresso de Imprensa do
Estado de São Paulo, onde seria criada oficialmente a API11.
Dez anos mais tarde, candidataria-se a vice-presidência da API. Em
1934 Edgard Leuenroth foi escolhido para ser um dos diretores provisórios
do Sindicato dos Profissionais de Imprensa do Rio de Janeiro.
Em 1944 fundou a Nossa Chácara. Este
projeto objetivava manter e veicular o pensamento anarquista através
de reuniões dominicais numa chácara adquirida pelo esforço
conjunto dos operários anarquistas paulistas. Nesta época,
era colaborador do periódico A Noite.
Após o fim da Era Vargas, respirando
os novos ares de liberdade, Leuenroth e os anarquistas não perderam
tempo. Sob o pseudônimo Frederico
Brito, Edgard Leuenroth apresentou extensa pesquisa, em 1947, sobre a imprensa
no Estado de São Paulo ao Departamento Estadual de Informações,
que promovia um concurso sobre o tema12.
Os anarquistas realizaram ainda o Congresso Anarquista de São Paulo,
ocorrido nos dias 17, 18 e 19 de dezembro do ano seguinte; à época
considerado uma das primeiras tentativas de reavivar o movimento anárquico.
A este, seguiu-se o Congresso Anarquista Nacional realizado no Rio de Janeiro,
em 1953 e a Conferência Libertária Nacional, no ano de 1959,
em São Paulo.
Em todos estes anos de militância no
anarco-sindicalismo, Leuenroth destacou-se também por um profundo
interesse de preservação da documentação relativa
à história do movimento operário, fazendo parte do
seu currículo profissional os cargos de arquivista
e bibliotecário, que segundo os
testemunhos de seus amigos, era um notável organizador13.
Talvez por isso, em 1953, no Quinto Congresso Nacional de Jornalistas,
ocorrido em Curitiba, além de participar da redação
Carta dos Jornalistas, foi nomeado presidente da Comissão de História
da Imprensa. Com 77 anos de idade colaborou na organização
da exposição nacional do Primeiro Centenário da Imprensa
de Campinas. Neste mesmo ano, 1958, participou do Encontro Libertário
ocorrido no Rio de Janeiro, e a convite do Ação Libertária,
aceitou assumir a direção do jornal, em virtude do falecimento
de seu amigo José Oiticica. Este periódico passou a ser impresso
em São Paulo. Concomitantemente, colaborou com o Ação
Direta.
Nos últimos anos de sua vida, dedicou-se
ao trabalho de arquivista na sede paulista da Standard Propaganda, empresa
que pertencia à seu irmão mais novo e sobrinho, com sede
no Rio de Janeiro. Já havia trabalhado nos arquivos do Jornal de
São Paulo e O Globo nos anos 50.
Apesar dos incessantes esforços de Leuenroth,
esse que foi cognominado o gentleman anarquista, o movimento libertário
estava em franco declínio desde os anos trinta e, de certa forma,
o Partido Comunista, na ocasião em ascensão, tornou-se um
dos focos de resistência à ditadura militar.
Descrito sempre como bem disposto, jovial,
organizado e diligente, Leuenroth morreu em 1968, aos 87 anos de existência;
depois de breve enfermidade, descobriu que tinha câncer hepático14.
Hoje, a documentação reunida
por este importante militante anarquista encontra-se no Arquivo
Edgard Leuenroth - Centro de Pesquisa e Documentação
Social, que leva o seu nome. Fundado em 1974, o Arquivo Edgard Leuenroth
à época, propunha-se a preservar e divulgar a memória
operária do Brasil Republicano.
Pesquisa realizada por Luiz Antonio Vadico em maio
de 1996.
Revisão realizada por Silvia Rosana Modena
Martini, Seção de Pesquisa do AEL, em dezembro de 2000.
____________
1 Na bibliografia consultada,
existe controvérsias a respeito da profissão de Waldemar
Eugenio Leuenroth. Ver Dulles, Anarquistas e Comunistas no Brasil e Rodrigues,
Os Companheiros.
De acordo com a documentação
cedida pela Família Leuenroth, o pai era médico e possuía,
junto com os irmãos, uma farmácia em Mogi Guaçu.
2 Amélia de Oliveira
Brito Leuenroth pertencia a família do Visconde de Rio Claro.
3 Há divergências
sobre o período de atuação de Edgard Leuenroth como
diretor do Jornal A Lanterna. Nobre, In: Leuenroth – personagem da história,
adota as datas limítrofes de 1906 a 1909; Rodrigues, In: Os Companheiros,
de 1909 a 1915 e Sangirardi Jr., In: Edgard Leuenroth: o gentleman anarquista,
adota o ano de 1912 como o período inicial de sua atividade neste
periódico. Possivelmente, tal confusão advenha da informação
de que Edgard Leuenroth colaborou neste jornal em dois períodos
distintos.
4 Edgard Rodrigues informa
a existência de um folheto O Caso Idalina escrito por Edgard Leuenroth,
que conta esta história.
5 Observações
extraídas de sua ficha policial.
6 Sangirardi Jr., op.
cit.
7 É importante
não confundir este partido comunista com o posterior, criado em
1922; este, segundo Dulles, era um partido de tendência anarquista.
Explica-se o fato de que os anarquistas participaram da criação
de um partido, contra todas as suas convicções, pelo grande
entusiasmo que a revolução bolchevique causou, e pela
falta de informação que reinava sobre o que estava acontecendo
na Rússia. Logo no entanto, na U. R. S. S., começou o expurgo
dos anarquistas que participaram do movimento, e este processo refletiu
negativamente aqui no Brasil, iniciando a ruptura entre anarquistas e socialistas
de tendência bolchevique.
8 Apesar das constantes
interrupções na periodicidade do A Plebe, Edgard Leuenroth
deixou de publicar este periódico somente em 1949.
9 Terminado o período
do Estado Novo, o Centro de Cultura Social foi caracterizado por intensa
atividade até o ano de 1968, quando voltou a sofrer interferência
do Estado.
10 “(...) o certo é
que os trabalhos iniciais para a fundação da API foram
levadas à cabo na sede da empresa de publicidade Eclética,
então à rua Três de Setembro, 48. Os diretores da empresa,
Eugênio Leuenroth e Júlio Cosi, cederam a sede, ofereceram
material e funcionários para a execução dos trabalhos,
entre os quais o Sr. Edgard Leuenroth, que foi o secretário executivo
da Comissão Provisória.” In: Leuenroth, A Organização
dos Jornalistas Brasileiros, p. 114.
11 Outros congressos
em que Edgard Leuenroth participou no exercício de sua profissão,
entre as décadas de 1900 a 1950: I Congresso Brasileiro de Jornalistas,
RJ, 1908; I Congresso de Jornalistas, RJ, 1918; I Congresso Pan-americano
de Jornalistas, Washington, D.C., 1926; I Congresso Paulista de Imprensa,
SP, 1933; I Congresso Nacional de Jornalistas, RJ, 1934; I Congresso Nacional
de Periodistas, RJ, 1938; I Congresso dos Jornalistas Profissionais do
Estado de São Paulo, SP, 1942; IV Congresso Nacional de Jornalistas,
1951; V Congresso Nacional de Jornalistas, 1954; VII Congresso Nacional
de Jornalistas, 1957; I Congresso da Imprensa do Interior do Estado de
São Paulo, SP; I Congresso Nacional de Jornalistas, II Congresso
Nacional de Jornalistas.
12 Leuenroth participou
da imprensa operária e anarquista sob diversos pseudônimos:
Frederico Brito, Routh, Palmiro Leal, Len, Leão Vermelho, Sifleur,
entre outros.
13 Freitas Nobre relata
que era proverbial a ordem e o desejo de organização
de Edgard. Conta que nas reuniões anarquistas os seus companheiros
limpavam os cinzeiros e organizavam a sala antes dele chegar, para que
não houvesse “problemas”. In: Nobre, op. cit., p. 19
14 “Ardoroso combatente
e trabalhador infatigável, Edgard Leuenroth adoeceu gravemente aos
87 anos. Queixava-se do fígado e foi vê-lo o clínico
e amigo Eduardo Maffei, um destacado militante comunista. Seria uma hepatite?
Não era. Maffei examinou-o detidamente, constatou câncer,
um câncer hepático e disse-lhe francamente que deveria tomar
as medidas urgentes e necessárias, pois tinha apenas uns quinze
dias de vida. A pedido de Edgard, foi feito então o seguinte: Maffei
disse toda a verdade à família, mas mentiu que o doente ignorava
a gravidade do seu estado. Desprendido até para morrer”, Sangirardi
Jr.

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